Sereias

Estarei perdido no mar, levado por mil e um cânticos, enfeitiçado. Levado para onde o nevoeiro cobre, denso, molhado e o cheiro a maresia será o único a conquistar-me os pulmões. Perderei a noite do dia; o tempo do relógio. As ondas baterão neste barco e eu, claramente, não terei forças para remar. Aquela voz na minha mente apaga-me as incertezas, atenua-me as mágoas. E levar-me-á para onde a noite se fará dia. Não haverá ali fantasmas e muito menos medos, nada de dor e pesadelos. E é disso que preciso, desse cântico que me consumirá de dentro para fora. Deixai-me ouvir, deixai-me  amar. Deixai-me dar uma espreitadela nesses olhos de destruição e afogar-me nesse mar, sem saber onde e porquê, só tendo a certeza que por vezes para construir algo é preciso haver cinza de outra coisa qualquer.

Metades

Nunca existiu nada e eu demorei demasiado tempo a aperceber-me disso. Todos os teus convites para tomar um café eram mascarados com a vontade de despir a roupa e ter alguém para te apreciar a carne, fazer fluir o suor pelo corpo e dizer o quanto gostava de todas as sensações daqueles momentos efémeros. Felizmente fiquei-me pelas tuas palavras e pela tua companhia num real café. E embora quente, não era dessa forma que eu pretendia ser aquecido. Mas também não pelos teus abraços, nem pelo teu corpo. Pretendia ser aquecido totalmente, arder interiormente, uma explosão de sensações; mas sensações boas e incontroláveis. Ao invés disso permanecemos pelas vontades e pelas metades. Metades de tempo, metades de desejos, metades de momentos. Era tanta metade que me sentia também eu incompleto. Incompleto a estar contigo, incompleto estando sem ti.




Eu entreguei-me como achava ser correto mas no amor não há essa coisa de certo e errado, o amor apenas é. Apenas existe, está ali, na sua melhor forma e é tão bom... Até que deixou de ser. E doeu, doeu pensar desistir, doeu virar as costas e nem vou enunciar quantas vezes tentei voltar atrás por ser bem mais fácil. Eu achava ter tentado de tudo quando na verdade isso era apenas uma desculpa para a minha preguiça de tentar. Para ser feliz é preciso ter coragem e eu não a tinha. Achei que estava perdido e tive medo, muito medo de te deixar e não me encontrar novamente. E só depois de eu soltar tudo o que achava ser paixão eu descobri o que era amar. Mas acordei a tempo de perceber que a pessoa que eu mais amava ali era eu; era a mim que eu queria satisfazer; era com a minha felicidade que eu sonhava. E ela não estava nem perto de ti, estava dentro de mim e eu só precisava partilha-la com quem me dá tudo e não metades porque para metade já basto eu.


Estou aqui, hoje, agora.


A tristeza é um sentimento muito fácil de adquirir e, assim sem parar, consegue alastrar-se por todo o meu corpo querendo-me fazer agarrar a cama, esconder debaixo dos lençóis e esperar que essa tempestade de lágrimas passe por mim sem causar muitos danos. Com a tristeza chega a saudade, chegam as más memórias e o pensamento de que a felicidade só serve aos outros. 
A minha memória é visitada por todos os "nãos" que não soube receber, por todos os momentos em que alguém partiu um ínfimo pedacinho do meu coração, por cada vez que alguma ideia não correu como planeado. As falhas, as lutas perdidas, os sonhos quebrados e, como cacos de vidro, tudo espalhado pelo chão da memória e eu de pézinhos descalços.
Deixo que essa dor tome conta de mim e aceito-a porque a felicidade parece estar a léguas. Então, só para não me sentir sozinho, tomo essa escuridão como minha amiga.
Porque sou cobarde. Fraco. Incapazes não são aqueles que, por dificuldades da vida, não conseguem pagar as propinas do curso da faculdade ou não conseguem, por demasiada dor, sair da cama de um hospital ou andar com as suas próprias pernas. Incapazes somos nós que agarramos a dor e metemo-la no bolso.
E não digo que chorar é sinal de fraqueza. Não digo que cair uma e outra vez seja coisa de gente fraca... Não. O que eu digo é que pensar em ser feliz é algo trabalhoso. Para ser feliz é preciso de ter coragem. Coragem de largar tudo, coragem de agarrar apenas a pessoa que mais importa: a pessoa que somos, a nossa essência.
Por vezes deixar aquela pessoa que já nos magoou tanta vez parece ser uma tortura mas gostamos de ir vivendo torturados por aquelas mãos que não parecem saber agarrar mais o nosso coração. Ou aquele amigo que vive a falar mal das nossas costas e nós bem sabemos mas parece muito complicado larga-lo e talvez nessa cidade não exista assim mais ninguém com os mesmos interesses que os nossos.
É muita responsabilidade e muita irresponsabilidade num instante escasso, num corpo só, num momento apenas. Mas talvez tudo o que seja preciso esteja mesmo à nossa frente, um abraço caloroso do sol e a promessa de que o dia de amanhã só será melhor se lutar por isso no dia de hoje. Estou aqui, hoje, agora. E estou porque quero, porque preciso e porque o amanhã ainda é uma incerteza.

Mãe.

Sempre me perguntaram se não doía e, mesmo engolindo em seco, a minha resposta era sempre negativa. Por vezes justificava-me e por outras deixava o não ser a última palavra a sair da minha boca. 
Inconscientemente, ao tocar no assunto, há algo dentro de mim que acorda e parece causar-me má disposição, um café que me caiu mal, um soco no estômago. Mas não posso dizer que seja dor, é um trago demasiado grande de água tomado sem sede que me atinge como se tivesse engolido um sopro do vento e me deixa sem ar.
Suspiro uma e outra vez e convenço a minha mente de que estou bem assim porque na verdade até estou. Sempre achei que a mais cruel mentira é aquela que tentamos convencer a nós mesmos pois sempre saberemos os dois lados da moeda que está em jogo mas por algum motivo recusamo-nos a ver.
Seja como for, ao fechar os olhos não existe mais nada e é desse instante que preciso para me recordar de tudo aquilo que se passou, de tudo aquilo que se foi com o vento. De como a pessoa que era suposto amar-me e proteger-me decidiu ser aquela que nem se lembra. E eu, por vezes, também tentava esquecer mas isso fazia com que a recordação se espetasse no meu peito e doesse. Sou apenas um pequeno barco embalado pelas ondas e pelo vento...
Então aprendi que aceitar era a solução pois a partir do momento em que aceitei lhe ser um desconhecido tudo parou de doer. Resta a saudade, resta a vontade de voltar atrás e não para mudar algumas coisas mas sim para poder vive-las de novo...


Rico.

Sabes bem como sou e já me conheces muito bem para saber que a minha maturidade depende das pessoas com quem me encontro. Sabes bem que à mesa, no café, gosto de rir, dizer baboseiras e comentar coisas das quais ninguém se lembraria e hoje entre risos e suspiros de viagens que adorava fazer, lamentei-me por não ser rico. 
Viagens, carros, mansões e roupas. Ter tudo aquilo que nunca tive a oportunidade de ter. Posses. Uns sete ou oito zeros à direita na conta bancária. Quem não o desejaria? Pois hoje, entre tragos no café sei que eu não o desejo assim tanto. Para além de ter demasiado medo de me perder de mim mesmo eu considero-me agora mais rico que algum dia poderei ser. Tenho a maior posse, a maior riqueza, a que se encontra dentro de mim e que me sufoca pela necessidade de cada pedacinho de ti junto a mim. Esta riqueza que me conforta com o facto de estar completo, de estar feliz. 


Sou infinito!

Descalço no topo de um penhasco prendo-me ao som do rebentar das ondas. O vento sacode-me os cabelos e, de olhos fechados, sinto o tempo a passar-me pelos braços esticados. Fugir-me-ia mesmo que o tentasse agarrar: o tempo não é um conjunto de borboletas que podem ser caçadas, o tempo é fumo. Sou instigado pelos dias que passam e por todos aqueles que anseio. Quero melhor, quero fazer melhor, quero o hoje, quero o tempo.

Acho fascinante admirar a linha onde o céu encontra a terra, pelo mar. Prendo essa linha no meu olhar, prendo-me ao horizonte: tão longe e mesmo ali, tão perto. De certo modo, fascinante e, por outro lado, assustadora. É uma linha longínqua alcançável por instantes e ao mesmo tempo infinita num para sempre que me deixa na incerteza de a conseguir alcançar. Ora o sol se expande no céu com os seus tons mais quentes ora a bruma do mar se prepara para embrulhar milhas até terra. 

Estou envolvido por essa linha, seja quente e ardente num pôr-do-sol, seja gelada num breu e bruma. Seja cor ou esplendor, seja negridão e angústia. Sejam mãos que me querem empurrar deste precipício, sejam asas que me queiram amparar a queda. Fico hipnotizado pelo infinito. Pela corrida de sonhos e pelo aglomerado de memórias que se atropelam à espera de me dar sentido. Acontecimentos, vontades, sentimentos, receios, dores, ilusões, ansiedades. É sede de infinito.

Vazio. Como um grão de areia contado na palma da mão, como um lençol branco estendido sob o relvado no verão. Inteiro. Como um botão de rosa preparado a abrir, como um livro acabado de escrever. E dentro deste peito cabe o mundo, cabe tudo. O vento sopra, não me abala. As ondas rugem, não me assustam. O tempo corre e eu sou infinito.

Esquecida Aldeia, Esquecida Vida

A chuva ampara-se sobre a calçada de uma aldeia esquecida à beira-mar, Porto Covo, ou outra qualquer onde ninguém dá a sua importância. As nuvens cobrem os céus e cá do cimo da aldeia, junto da igreja, ouvem-se as ondas do mar rebentar contra os rochedos. Furiosas, desejando a tempestade. 

Mas, de certo modo, a tempestade já está presente, as gaivotas pousam delinquentemente em todos os lugares, sujando, danificando, mostrando que esta terra lhes pertence. Os homens, de tão poucos que são, mantêm-se por baixo daquelas asas e deixam-se ser carregados pelos dias, como um rio sendo levado até ao oceano.

Esquecem-se de viver e preocupam-se em demasia com tudo aquilo que têm mas ainda mais com aquilo que, amanhã, poderão não ter. O pão e o vinho é mais suficiente que o agora, o estômago e a saúde é a satisfação que os eleva de dia para dia. Em certos casos escondem-se ao que lhes proporciona sorrisos e alegrias. A idade já lhes pesa e a pequena aldeia piscatória já só encontra tempestades.

Com ventos e agonias lamentam-se das rugas e das más recordações, lastimam não viver mas também não tentam fugir à rotina com medo de falhar. As mãos pouco agarram e os olhos pouco vêm. Os dias são levados com aquela pacata respiração sem emoção. Só resta a dor naquelas casas caiadas de branco de faixas azuis. O som, levemente se apaga e nem o vento toca nas altas palmeiras. É demasiada a calma, demasiado silêncio para aqueles corpos que ainda emanam vida e sonhos. 

Que sejam elevados da cadeira de madeira, que ergam a vontade de viver como quem ergue a cana de pesca e se prepara para apanhar o maior peixe que alguma vez pensara pescar. Que demonstrem saber sorrir e quando a vida se lembrar de trazer tempestades, lembre-nos que as colheitas só crescem com água, que os campos floridos são mais bonitos e que debaixo da chuva também se dança. 

A vida não é uma aldeia debaixo de tempestades até que nos esqueçamos, realmente, de como bom é viver.


É sorte!

Perguntas-me o que quero dizer com os textos que escrevo e assim que termino de te explicar olhas-me seriamente e perguntas "Não podias ter escrito logo isso?" É verdade que escrevo demasiado nas entrelinhas, os meus textos são para ser lidos duas ou três vezes mas isso é porque escondem demasiado de mim. São gestos, olhares e sorrisos que tenho no peito. São histórias e planos escondidos no fundo da gaveta. São mágoas, ilusões e quedas que não consigo retratar. Fragmentos da minha personalidade, cacos de vidro partido sobre a mesa, cera derretida ao calor do pavio queimado, alma devorada por esperança e pensamentos.

Então hoje escrevo-te o que penso, sem efeites e sem mantos a cobrir. Só com verbos no presente, com intenções no futuro e agradecimento ao passado.

Sou um sortudo por te ter ao meu lado: os meus dias só começam quando recebo uns bons dias teus e as minhas noites são sempre mais coloridas quando terminam com um beijo dos teus lábios. Não há dor que me conquiste enquanto seguras a minha mão e sinto-me capaz de tudo se estiveres presente.

Tenho demasiados planos para nós: quero uma casa onde partilharemos não só a cama mas também a rotina, quero mil e uma viagens a destinos aos quais nunca pensei ir só para te poder beijar em vários pontos do globo. Quero prender os meus dedos nos teus a ver filmes ao sábado à noite, quero uma reunião de amigos a cada mês para partilharmos histórias e piadas. Quero o meu peito como abrigo à tua cabeça, quero as minhas mãos no teu cabelo, o teu corpo perdido no meu, a minha alma necessitada da tua.

Mas o que quero mesmo é isto, conjugar o verbo amar no presente. Amar tudo aquilo que fazemos, aquilo que conversamos, aquilo que sentimos e planeamos... Quero o que já temos, quero um nós no meio de tantos sós.

Agradeço-te não só por teres entrado na minha vida mas por decidires ficar e me deixares fazer parte de ti. E também agradeço ao meu passado por todo o azar que me proporcionou pois só assim, com ele, aprendi hoje a dar valor ao que realmente posso chamar de sorte.


Um Obrigado a quem fica!

Ultimamente encaro a minha vida como um comboio, cheio de embarques e desembarques. São colocadas as bagagens, os casacos e chapéus e finalmente os corpos escolhem um lugar onde se sentar. Abrem o jornal ou colocam os phones e escolhem uma playlist no ecrã minúsculo do telemóvel, tiram uma sandes amassada do bolso ou, simplesmente, decidem permanecer em silêncio e desfrutar da viagem. 

Às vezes recebo passageiros tão calados e misteriosos que nem dou pela sua presença. Entram numa estação e saem noutra sem causar nenhum tipo de impacto. E às vezes recebo uns que com, simpatias, pintam de alegria e sorrisos a carruagem. Há os antipáticos, os sorridentes, os carrancudos, os sonhadores, os cabisbaixos e outros tantos. Todos compraram bilhete e todos sabem a altura ideal para desembarcar.

De quando em vez é esquecida uma mala, um pacote misterioso, um casaco. Deixam-se cair memórias pelos corredores e bancos, fotografias, sonhos que disso não passam, sorrisos escondidos, histórias de amor, aventura. Desejos, pedidos ou insultos e decepções. Nada é reclamado e assim se passam histórias entre passageiros e este comboio cuja viagem não acaba nunca na próxima estação.

Mas de outras vezes, outros, decidem pagar uma viagem como quem paga um café: e o resto logo se vê. E, então é a esses passageiros que me dedico e relaciono sem fim para que a chávena não fique nunca vazia. Agarro-me ao passageiro que me enche mesmo que a carruagem esteja vazia. Prendo-me às bagagens que trás e partilha, sejam sonhos ou sorrisos. É desse tipo de passageiros que o meu comboio tenciona apanhar. Desses que permanecem em mim mesmo podendo ter saído numa ou noutra estação lá atrás.




Pouco Importa!

Sempre errarei e falharei.

Não importa a maneira com que me olho ao espelho e o tempo que dedico a ajeitar o meu cabelo. Pouco importam as escolhas que fiz e os passos e quedas que dei. De todo importam as mãos que agarrei, os lábios que beijei, as gentes com quem me dei. Não importam os bons dias pela manhã e os sorrisos forçados quando cá de dentro a alma arranha a garganta para sair pelos olhos em forma de lágrimas. As feridas que o meu corpo apresenta são de guerras que pouco interessam, são mágoas que permanecem e todos desconhecem. 

A minha história é guardada em cada traço meu, as minhas vontades ocultas em páginas num corpo despido que ninguém perde tempo a tentar ler. Sorrisos, lágrimas, risos, feridas, sonhos e tudo mais só me pertence a mim. Irão julgar passos que dei, irão julgar decisões que tomei, irão julgar lágrimas que deitei, sorrisos que desperdicei, piadas que joguei. Mas eu tomei as rédeas da minha vida, o mapa dos meus sonhos é maior do que quaisquer palavras de julgamento e repreensões. Eu acredito que sempre haverá sombra perseguindo aquilo que brilha.

Mais vale viver sem medos do que ter medo de viver. Pouco importa a maneira com que levo a vida ou a vida me leva a mim. Todas as ondas  do mar têm a sua vontade mas todas terminam da mesma forma e é por isso que valorizo bem mais a viagem que o destino.



(Desculpem estar tão ausente mas tenho um grave problema no meu computador que ainda não me foi possível resolver. Obrigado pelo carinho e boa semana!)

É meu.

Há momentos e lugares que nos fazem lembrar de pessoas como a tarde passada caminhando por entre praias e ruas vendo caras desconhecidas rirem e sorrirem, conversarem entre si. Ou no lugar onde o primeiro beijo foi solto enquanto as luzes queimavam a cidade ao longe sob o mar. No jardim ou na esplanada ou deitado no sofá a ver o último episódio da novela em que olho para o ecrã do telemóvel e é uma mensagem tua que vejo, sei que é de ti que me lembro a cada instante.

Depois há pessoas que nos fazem lembrar de momentos. Dos abraços apertados que matam os vestígios das saudades. Do toque das nossas mãos e da pressão que é tão boa do teu peito contra o meu.

Às vezes acho que eu poderia ser melhor para ti, pois tenho medo de qualquer dia só me restar a lembrança do que outrora foi meu. E sabes, nada daquilo que eu faça me faz sentir da maneira que me sinto quando seguro a tua mão. Estou seguro a 50 metros do chão em cima de uma corda bamba mas sei que podemos dançar. A melodia ao fundo, algures, é a mesma do início, desde o primeiro dia em que te conheci que ela toca. E mais importante do que eu saber que é o amor, ali, é o facto de ter a certeza que é meu.



Viver de amor.

Confesso que nunca pedi tanto. Tanta atenção, tanto carinho, tanta disponibilidade, tanto tempo e tanto amor. Ao tê-lo, ao recebê-lo e abraça-lo tomei-o como meu. Não garantido, seria idiota pensar que o amor, que as pessoas, ficam aqui para sempre só porque o queremos. Apenas é meu, merecido talvez por tantas horas passadas a sonhar com ele, talvez merecido porque também eu amo com tudo aquilo que tenho e com todas as forças que invento. 

Sabem, a maioria das pessoas olha demasiado para fora e para o partido que pode tirar do amor: fotografias bonitas para meter inveja às amigas solteironas no facebook, um jantar romântico com direito a uma noite passada num excelente colchão de um hotel na cidade vizinha, beijinhos pela rua e promessas de um casamento feliz, convidando toda a gente que se conhece, os seus companheiros e com os priminhos chatos a correr de um lado para o outro! 

Pois eu prefiro viver olhando para dentro, para dentro de mim, para os sonhos que tenho e traçar as metas de uma vida acompanhada de um amor que nunca pensei vir a ter. Agarro-o todos os dias como se o tivesse acabado de encontrar, preciso dele e de me sentir embalado apenas pela sua companhia. Posso fechar os olhos, sei que não vou cair. E mesmo que caia sei que não me deixarei ficar no chão, serei agarrado, abanado, acordado. Tenho confiança nisto, tenho confiança neste nó que somos nós. 

Poucas coisas duram para sempre e por vezes as que podem durar nós damos cabo delas. Mas cá para nós, mesmo que a noite nos agarre, o silêncio se propague e as lágrimas brotem, quero que saibas que a rádio sempre estará na nossa estação e que o vento não leva de mim aquilo que ambos construímos e que, com amor, eu torno parte de mim.