Desaparecida

Antes de mais um aviso: não estou aqui a expôr a vida de ninguém, conto um acontecimento que se passou publicamente e todos os detalhes privados sobre a identidade dos intervenientes serão salvaguardados.

Relato II 
"Desaparecida"


Infelizmente consta da minha realidade deparar-me com desaparecimentos de hóspedes nos locais onde trabalhei. Hoje, são cerca de 6:15 e estou a escrever sobre um desses acontecimentos.

Pela primeira vez, duas jovens conseguiram ir de férias juntas para fora da grande cidade. Um voto de confiança dos pais e pronto, diversão garantida fora do cerco familiar.

Conhecidos, amigos e bebida é o que não pode faltar. Eis que uma delas desaparece - descalça, pouco vestida, bêbada e incontactável. Os amigos obviamente que vieram à sua procura no hostel... Mas vamos saltar à frente a parte chata e melancólica da coisa... 

A polícia bateu à porta duas vezes e escusado é dizer que eu só não implorei para baterem mais porque eles podiam considerar desacato à autoridade - uma pena

5:30 da manhã e novamente a porta toca. A rapariga ali estava, e em bom inglês "looking like a mess", borrada, cheia de terra, suja, descalça e com um sorriso embora se notassem uns olhos de choro, demasiado tristes.

Perdida nos seus pensamentos não sei se com sono ou ressacada, consumida em lágrimas "oh, avisaram os meus pais, f*dasse". Miga, calma. 

Momentos depois: bombeiros, polícia, amigos, amigas e mais amigos - tudo no hostel. Todos a repetirem as mesmas perguntas "onde estiveste?" "não tens noção do quanto nos deixaste preocupados?

Eu soube do desaparecimento da rapariga à uma da manhã: hora que entrei ao serviço e também eu fiquei preocupado por isso acredito que todos eles estivessem muito preocupados mas se realmente fossem amigos tinham reparado que ela não estava bem, talvez deixa-la beber não fosse a melhor ideia... But anyway... Somos jovens, fazemos asneiras - fuck it.

Às vezes precisamos de tempo para nós mesmos mas é algo de bastante irresponsável preocupar outras pessoas só porque não estamos bem connosco mesmos.

Era tanta conversa que (já era mais galhofa que outra coisa) tive de mandar calar o pessoal: inclusivé os GNR's que com um sorriso mandaram os outros se calarem. Pensei mesmo "f*dasse és mesmo bom que até já mandas calar polícias e eles obedecem!"

Relatos de Recepcionista

Olá seguidores, tanto quanto sabem, ou não, eu sou recepcionista e de momento trabalho num hostel - mas vou partilhar também sobre acontecimentos num Camping. Desde os 16 anos (portanto há 6 anos) que tenho contacto com recepções e gosto cada vez mais daquilo que faço, então decidi criar aqui um espaço onde me dedicarei a contar diversas experiências deste maravilhoso mundo. 

Relato I
"Paulinho"

É detestável o meu diminutivo e a única maneira de me fazer gostar de o ouvir é se vier da boca de alguém com quem eu tenha confiança ou afinidade. Caso não tenha: por favor, párem. 

Lembro-me do meu primeiro dia no Camping - em Porto Covo - estava sentado, acanhado, numa mesa ao canto da recepção, a mexer em carimbos de senhas para a piscina quando alguém entra pela porta e entra na recepção. Um senhor. Olhei-lhe por cima dos meus óculos e sorri, lembro-me do quanto detestava sorrir. 

Cumprimentou a minha colega e depois dirigiu-se a mim com a questão "Quem é esta menina?" (okay sim eu tinha o cabelo cumprido de mais, óculos e sempre fui muito magrinho mas daí até ser confundido com uma rapariga...) 

Não me ri e a minha colega disse "É o Paulo".

"Ah! Olá, Paulinho"

Não serviu como desculpa e até o começar a ver com bons olhos demorou algum tempo. 

Agora clientes, esses nos primeiros meses tratavam-me por Paulo, Senhor e Rapaz. Nunca por Paulinho até que começam a gostar de falar comigo, de me comentar os seus dias, as suas férias ou até os seus problemas. Depois de me tornar amável (e cortar o cabelo) e aprender a sorrir já não havia clientes habituais daquele Camping que me tratassem de maneira diferente - eu era o Paulinho. E ainda hoje que não trabalho lá: se entrar por aquele portão sou o Paulinho daquela gente toda...