Pêssego de Saudades

05:59

Por vezes lembro-me do teu sorriso a contagiar o meu, mesmo que, naquelas manhãs, estivesse de chuva e as nossas mochilas fossem mais pesadas que o habitual. Tudo valia a pena estando do teu lado, agarrar a tua mão era enterrar os nossos medos descobertos. Permanecíamos em silêncio sabendo já o que o outro pensava, o que se seguiria mas foi crescendo a distância e o medo apareceu como nunca o tínhamos enfrentado antes. As lágrimas teimaram em furar todos os meus sorrisos forçados. Tentei procurar um lugar, não com os olhos mas com o coração; um lugar que me fizesse esperar-te e não desesperar. A tua partida fora inesperada e nunca tive motivos para me preparar para algo assim porque, na vida, não existe qualquer tipo de livro de instruções que diga como tratar o coração. Fiquei deserto. O tudo que nascera, crescera e fora fortificado por nós tinha desaparecido, ficou um nada. As palavras que se soltavam já não eram iguais, os nossos corpos já se protegiam um do outro e os teus abraços já eram e, continuam a ser, tão demasiadamente escassos e raros. E o medo tem continuado a crescer sem que lhe possa agarrar, esmagar como pêssegos suculentos que mordiscávamos no Verão sentados a ver as noites passarem por nós. Um desejo era pedido, como um pêssego que saia da cesta. De seguida outro... e agora até tenho medo de pedir algum outro desejo visto que o pêssego que saiu estava podre e incapaz de falar ao silêncio.



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48 comentários

  1. Triste... mas muito bonito!!

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  2. que lindo!
    As vezes na espera nos desesperamos. Ficamos atordoados com a demora do regresso. Ficamos com medo de esperar e o outro nunca voltar.
    ---
    te espero no meu infinito particular.

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  3. Olá Paulo. :)
    Andava eu aqui no mundinho da blogosfera quando encontrei o teu blog que desde logo despertou a minha atenção. O design está super giro, e a forma como ''jogas com as palavras'' também é super original.
    Sigo-te :)
    Beijinhos da Wanna

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  4. "Tentei procurar um lugar, não com os olhos mas com o coração; um lugar que me fizesse esperar-te e não desesperar." - awesome! +.+

    O problema é que se for à luta e ele perceber, que é o que provavelmente iria acontecer, ele pode afastar-se e será que isso é melhor do que ele estar perto mesmo não sentindo o que eu sinto? As vezes parece que sente, outras não.. é confuso..

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  5. Tentei procurar um lugar...com o coração.

    Fiquei deserto...

    Simplesmente poético, Paulo.

    Lindo!

    Abraço

    Olinda

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  6. Palavras sábia que nos enchem de nostalgia e sentimento como sempre. É caso para dizer, quem disse que a distância faz esquecer esqueceu-se que a saudade faz lembrar

    Abraço

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  7. as memórias conseguem ser terríveis!

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  8. as memórias conseguem ser terríveis!

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  9. Sempre, sempre, sempre .. Não há maneira de negar

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  10. de um momento para o outro, tudo desaparece.. apenas fica a recordação. E o presente passa a ser um lugar vazio com o qual não sabemos lidar.

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  11. Acabo de escontrar o teu blog, li este primeiro texto e chegou para decidir que vou seguir! Adorei completamente este texto, a tua escrita é extremamente linda :) e a musica muito bonita, parabéns!
    vou seguir +.+

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  12. Oh, obrigada Paulo :) A verdade é que já não saio de casa à 3 dias. Mas amanhã já vou ver se vou ao gym :) Espero que esteja tudo ótimo contigo, e que também tenhas tido um super fim-de-semana junto de quem gostas.
    Beijinhos da Wanna

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  13. não quero mais comer deste pêssego mas não sei como trocá-lo por outro. "na vida, não existe qualquer tipo de livro de instruções que diga como tratar o coração" - é pena. <3

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  14. Muito bom Paulinho *.*

    Assim que li o título pensei: wow que saudades de comer um belo pêssego eheh xD ADORO! *

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  15. Por vezes as coisas acontecem, mas não da maneira que desejámos. No entanto, é preciso continuar a desejar, a sonhar a querer, mais.

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  16. Uma, duas, três lágrimas (e muitas outras) e um pouco de melancolia! Um, dois, três aplausos e um tanto de outros sentimentos de glorificação à este post! Lindo meu querido. Abraço apertado!

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  17. Nunca tenhas medo de voltar a pedir desejos, de voltar a sonhar... Simplesmente não tenhas... Vive tudo :)

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  18. lindo demais! como sempre tudo o que escreves..

    bjs.Sol

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  19. Precioso!! triste pero muy hermoso. Un abrazo y saludos desde Madrid

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  20. (para variar estou apaixonada pela música, por este piano que me entra pelo amâgo adentro…e me dá alento…dá, e dá mesmo)…

    “…agarrar a tua mão era enterrar os nossos medos descobertos…” lindo…dar as mãos é dos mais doces e pequenos sentires…pena há quem não saíba o que isso é…adoro dar a mãos, dar as mãos, sentir, olhar as mãos…
    Quando tudo desaparece, chama-se fim, será Pensador? Sabes que não sei…por vezes sabendo nem sei no que me tornei … as palavras mudam, nós mudamos, nós que ficamos, num espaço e tempo diferente, do todo em que se transformou a mente…não sei, vagueio pelas tuas palavras, e olho um Eu, que não é o Tu … deixa não fazer sentido, ou melhor convém fazer sentido, mas acho, por acaso acho que vais entender.
    O meu desejo, tem sabor a morango …dentro de alguns post irás entender …
    Beijo Pensador, n´oteudoceolhar.

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  21. Paulo,

    O teu texto, se o reproduzíssemos numa pintura de Renoir, por exemplo, ficaria, deliciosamente, apetitoso. Eu comê-lo-ia, não tenhas a mínima dúvida, e "não ficaria pedra sobre pedra".
    Pêssegos, a fruta de que mais gosto, e com saudades, que venha o tempo deles.
    Real ou fictício, inventado ou não, mas muito SENTIDO é mais um texto escrito com a racionalidade, que te caracteriza, e com a mão masculina e forte, que dá amparo às palavras, mas que precisa, também, tanto delas e de mão, outra, com segurança.
    Sabes não há só uma Primavera em cada vida, como diz o poeta, há, sempre, mais. E os pêssegos chegarão, porque nós queremos.
    Ficamos "desertos" temporiamente, depois começam a aparecer pequenos oásis, aqui e ali, só que temos medo deles. Não os conhecemos e não sabemos, se nos dão pêssegos de boa qualidade, um após outro, depois outro e já agora só mais outro.

    Eu gosto de fruta madura, consciente, e portanto aquele em que pegaste estava podre já. Mas, fruta verde não tem, ainda, sabor, não tem peso e nem conteúdo.
    A tua mente requer fruta da melhor qualidade e, digo-te mesmo, caseira ou biológica, pouco ou nada tocada e onde "comas", que nem um abade.

    Beijos com sabor a pêssegos, já maduros.

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  22. Ola querido Paulo,
    As saudades de visitar o teu blog já me mordiam!
    Ai...as saudades! As saudades...E sabes o medo da distancia é perfeitamente normal, porque quando se gosta de um alguém muito proximo para o nosso coração, a distancia é difícil, mas supera-a!
    "E o medo tem continuado a crescer sem que lhe possa agarrar, esmagar como pêssegos suculentos que mordiscávamos no Verão sentados a ver as noites passarem por nós."
    "podre e incapaz de falar ai silencio" ... sabio é aquele que arrisca trincar o pêssego mesmo depois de ele estar podre!

    Beijinhos meu grande amigo,
    Bia.

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  23. ainda bem que sim, Paulo.
    continuarei atenta ao teu cantinho,
    beijinho

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  24. Nunca estamos preparados para a chegada daquilo que nos faz sofrer...

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  25. quero acreditar que sim!

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  26. Olá Paulo!obrigada por nos teres presenteado com mais um belo texto,tal qual cesto de fruta apetitosa e suculenta...Em breve o pêssego podre não passará de uma lembrança.Os sorrisos surgirão naturalmente e as lágrimas serão de emoção e alegria...Desejos se concretizarão e as noite serão de magia.um beijinho e continua a deliciar-nos com a tua escrita "madura"

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  27. Olá Paulo!
    Embora triste, acho que o teu texto tem um brilho especial... isso acontece sempre quando escrevemos sobre ''partes'' da nossa vida, ou sobre alguém que nos marca... não é?
    Muito obrigada pelas palavras de conforto que deixas-te no meu blog!
    As maiores felicidades!
    Beijinhos da Wanna

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  28. mereces ouvi-las. não tens de quê*
    beijinho

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  29. Oh querido nem me digas isso, até me fazes água na boca pah xD *

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  30. Que maldade que tu me estás a fazer pah -.-

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  31. Mas estás a ser mau para mim pah :'(

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  32. Paulo,

    A mochila já está pesada, eu sei, mas não te esqueças dos abraços, dos sorrisos, esconde no fundo, as tristezas e os cansaços, e traz, também, festejos e não te esqueças dos beijos, da alegria, porque a festa, a nossa, vai durar até ser dia.
    E a madrugada vai ficar calada e espantada, quando tiver de arrumar o quarto, o amor, que fizémos, espalhado pelo chão.
    Dar-lhe-ás um beijo, como recompensa. Ah! Já não tens nenhum, daqueles doces com sabor a pêssegos ou a outro fruto qualquer.
    Vamos inventar um sabor, mas que não seja muito doce. Vamos pôr saliva, tua e minha, num tubo de ensaio, levamos à lamparina, e está a ficar amarela, mel? Deu
    mel?
    A Química tem com cada solução!

    Beijos químicos.

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  33. Olá, Paulo

    Seus escritos são presentes, que acabam por invadir nossa alma nos levado a refletir sob cada palavra. Lindo texto, palavras ligadas harmoniosamente a sentimentos... ótimas combinação! Será o pêssego mais saboroso? Não quero a resposta, a queria você... Abraços!
    --
    Tenho novidades, aguardo-te!

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  34. ora essa, não tens de agradecer :))
    o ginásio correu bem, ainda que puxadinho , correu bem! e o teu dia, como correu? (:

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  35. A sério? dás uns toques nos patins? (:

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  36. LINDO LINDO LINDO ! adorei,vou seguir*

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  37. Simplesmente perfeito!
    Adoro o facto de dares muita importância aos pormenores.
    Às vezes, esses supostos pormenores, que para uns são gigantes e para outros o contrário, conseguem acabar com algo muito bonito...
    Beijo :)

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  38. Obrigado Paulinho *
    Belo texto ((:

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  39. um encanto. um verdadeiro encanto...daqueles mágicos, daqueles que não têm nomes comuns...

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  40. Gostei bastante do post ;D
    http://inked-coffee.blogspot.com.br/

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  41. muito muito muito tocante, quase me fez chorar...

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