Estarei perdido no mar, levado por mil e um cânticos, enfeitiçado. Levado para onde o nevoeiro cobre, denso, molhado e o cheiro a maresia será o único a conquistar-me os pulmões. Perderei a noite do dia; o tempo do relógio. As ondas baterão neste barco e eu, claramente, não terei forças para remar. Aquela voz na minha mente apaga-me as incertezas, atenua-me as mágoas. E levar-me-á para onde a noite se fará dia. Não haverá ali fantasmas e muito menos medos, nada de dor e pesadelos. E é disso que preciso, desse cântico que me consumirá de dentro para fora. Deixai-me ouvir, deixai-me amar. Deixai-me dar uma espreitadela nesses olhos de destruição e afogar-me nesse mar, sem saber onde e porquê, só tendo a certeza que por vezes para construir algo é preciso haver cinza de outra coisa qualquer.
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