Corre.

Não gosto de acordar de manhã ao som exagerado de um despertador e muito menos com água em cima. Quero acordar com uma voz suave a dizer-me: está na hora.

Na corrida que faço de manhã contra o tempo super limitado tenho que me preparar para enfrentar mais um dia de desafios.

Quando já estou preparado, saio de casa na companhia intragável de uns certos indivíduos. Palavra puxa conversa, conversa puxa um extenso diálogo que se prolonga no caminho dessa manhã escura.

Encosto-me a uma parede macula e fria, na ponta dos dedos sinto o calor do prazer e nos lábios passo o vicio de vez em quando.

Sento-me no chão por baixo de um pequeno telhado com a minha malta e espero que as negras nuvens por cima de nós rebentem silenciosamente. Passam alguns minutos de puro prazer: as gotas de água estavam quentes; poluídas. Como eu.

Quando tudo isto acabar vou dar valor às pessoas que sempre me deram a mão e não àquelas que me alimentaram os vícios. Depois vou pedir a essas pessoas que nunca me deixem cair. Vou implorar uma companhia sincera e pura, e depois vou mesmo viciar-me nessas pessoas, porque são elas que fazem de tudo, movem céus e exploram oceanos, sem nunca pedir algo em troca.