Nunca existiu nada e eu demorei demasiado tempo a aperceber-me disso. Todos os teus convites para tomar um café eram mascarados com a vontade de despir a roupa e ter alguém para te apreciar a carne, fazer fluir o suor pelo corpo e dizer o quanto gostava de todas as sensações daqueles momentos efémeros. Felizmente fiquei-me pelas tuas palavras e pela tua companhia num real café. E embora quente, não era dessa forma que eu pretendia ser aquecido. Mas também não pelos teus abraços, nem pelo teu corpo. Pretendia ser aquecido totalmente, arder interiormente, uma explosão de sensações; mas sensações boas e incontroláveis. Ao invés disso permanecemos pelas vontades e pelas metades. Metades de tempo, metades de desejos, metades de momentos. Era tanta metade que me sentia também eu incompleto. Incompleto a estar contigo, incompleto estando sem ti.
Eu entreguei-me como achava ser correto mas no amor não há essa coisa de certo e errado, o amor apenas é. Apenas existe, está ali, na sua melhor forma e é tão bom... Até que deixou de ser. E doeu, doeu pensar desistir, doeu virar as costas e nem vou enunciar quantas vezes tentei voltar atrás por ser bem mais fácil. Eu achava ter tentado de tudo quando na verdade isso era apenas uma desculpa para a minha preguiça de tentar. Para ser feliz é preciso ter coragem e eu não a tinha. Achei que estava perdido e tive medo, muito medo de te deixar e não me encontrar novamente. E só depois de eu soltar tudo o que achava ser paixão eu descobri o que era amar. Mas acordei a tempo de perceber que a pessoa que eu mais amava ali era eu; era a mim que eu queria satisfazer; era com a minha felicidade que eu sonhava. E ela não estava nem perto de ti, estava dentro de mim e eu só precisava partilha-la com quem me dá tudo e não metades porque para metade já basto eu.
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