O Rapaz das Orelhas Grandes

Creio que dia 3 de Maio de 2015, numa fase de Castings para o famoso programa "Ídolos" do Canal SIC, um jovem de 17 anos foi severamente ridicularizado pela produção deste mesmo programa. 
Pois bem, eu vim dar a minha opinião de tudo aquilo que li, ouvi e vi sobre este caso que, de certa forma, me deixou transtornado. 
Primeiramente eu não vi o Casting, vi o vídeo depois e o que aconteceu é que o rapaz tem umas orelhas um pouco desproporcionais para o tamanho da cara, a produção do programa decidiu que era engraçado aumentar-lhe ainda mais as orelhas e foi esse vídeo que passou na televisão: um jovem a cantar com as orelhas a crescerem até ficarem do tamanho da própria cabeça.
Sobre a atitude da produção, muito pouco tenho a dizer. Os responsáveis deveriam ter direito ao despedimento e deveriam pagar uma indemnização por danos morais ao rapaz que foi incapaz de sair de casa com vergonha durante dias seguidos. Como pode um canal que é visto diáriamente por centenas de milhares de pessoas descer tão baixo e humilhar um miúdo só para obter algumas gargalhadas indecentes?
Nos programas das manhãs da SIC ou até da tarde já falaram inúmeras vezes de casos de bullying nas escolas, então expliquem-me como pode este canal/programa tentar ser ouvido quando na prática não aposta em decisões maduras mas sim numa barbaridade capaz de destruir a vida de alguém.
Agora a história não acaba aqui. Para além da avó, pessoa com quem o rapaz vive, dizer que é capaz de abdicar de pagar a renda da casa para pagar a um advogado para processar a SIC, pelos vistos também existe uma Clínica chamada Génese do Tempo que se predispõe a oferecer uma cirurgia às orelhas do rapaz e o tal está a ponderar.
A minha pergunta é: qual é o sentido que existe em processar um canal por bullying, danos morais, whatever e depois aproveitar a proposta dessa tal clínica e fazer a cirurgia?
(Na minha opinião, que de nada vale, a SIC está por detrás dessa tal proposta... mas isso é outra história não é verdade?)
Se realmente ele se sente mal com as orelhas que tem ele sofrerá sempre bullying porque não se aceita como é. E aí pode sentir-se livre e aceitar a proposta para fazer a cirurgia e até agradecer a barbaridade que a lhe SIC fez pois tornou-lhe esse sonho possível. 
Agora se ele realmente acha que "quem tem contra, temos pena, tem bom remédio não olhe" (frase do próprio Alexandre) ele devería sim continuar essa luta para processar a produção do programa e tenho a certeza que muita gente estará a apoia-lo.

Enfim. Só vim mostrar a minha indignação e a minha opinião.
O povo Português é brincalhão, gozão até e adoramos todos dar umas boas gargalhadas mas até que ponto vamos deixar alguém sofrer para que possamos rir?

fonte: http://www.cmjornal.xl.pt/nacional/sociedade/detalhe/alexandre_recetivo_a_operacao.html 

Vazio.

Vazio. Não há outra palavra para descrever a forma como me deixaste. Eu tentei encontrar outras e várias passaram pela minha cabeça mas, de certa forma, deixavam de fazer sentido quando eu as pronunciava. Não me desiludiste porque já aprendi a não me iludir e é complicado voltar a acreditar que os balões permanecem cheios para sempre. Eles acabam por ficar como eu, sem ar, vazios. Não me partiste porque eu já sou demasiado fragmentado para que me possam voltar a partir. Eu já disse que sou uma autêntica confusão: cacos de histórias mal contadas, pedaços de mentiras construídas para atenuar a tristeza, pequenos fragmentos de pensamentos e sonhos perdidos. E sentimentos? Oh, de tantos posso falar. São tantos que nem os consigo enumerar a todos, mas sabes, nem quero. Quero apenas deixar-me cair nos lençóis deste silêncio em que me deixaste, e já me conformei, um silêncio sempre presente e não me deixa saber o porquê, um silêncio que grita a verdade. Fico totalmente imóvel, esperançoso que toda a correria de pensamentos, vozes e gritos que ecoam na minha mente, possam finalmente ter um ponto final. Mas são demasiados e sinto-me vazio. E digo-te... é incrível o quão cheio pode ser este vazio.


Amor.

Não gosto da ideia de te perder. E só o facto de pensar nisso já me deixa angustiado, sem forças. Claro que estaría a mentir se dissesse que estava tudo bem, sabes que não está. Posso mostrar-me controlado no que diz respeito às minhas emoções e tu sabes tão bem como ninguém que consigo passar um dia inteiro a sorrir. Mas não significa que não sinto pois à noite, quando ninguém vê, eu deixo-me arrastar para a solidão e a escuridão embala-me com os meus medos. Sou embrenhado nas desilusões e os pensamentos não páram de me tapar a saída desse pesadelo. Sou confrontado com tudo aquilo que um dia desejei não ser, com todas as más escolhas, com todos os arrependimentos. E volta à minha mente a ideia de te perder. E não aguento pensar nisso, o ar falha-me os pulmões e sinto-me dilacerado pelo tempo que passa por mim. É horrível não saber se é apenas um pensamento ou realidade. Nada faz sentido, mas nunca nada fez. Perco-me na confusão, mas gosto, porque te tenho. Caio em cada passo, mas esqueço-me, porque te tenho. Desiludo-me, mas cresço, porque te tenho. E faz sentido não te ter? Não sei se te estou eu a perder ou tu a mim. Promete que encontras o caminho de volta e eu prometo não desistir de te encontrar, porque não sei o que há mais para além de ti. Não sei o que há mais para além de amar. 






Uma razão apenas.

Sabes, eu compreendo que te afastes sem me dares um motivo. Consigo até entender o porquê das longas conversas terem sido trocadas por simples e irónicas frases que já não interessam ter. Percebo o facto de não te esconderes e mesmo assim ser tão difícil voltar a encontrar-te. Mas não consigo entender o porquê de me doer tanto. O porquê de ser incapaz de cruzar os braços e esperar que este sentimento se vá com o tempo e o vento. Não entendo a minha vontade de te abraçar mesmo não te encontrando nos meus braços. Não consigo entender o meu desejo pela tua pele e pelos teus lábios sendo incapaz de te tocar. Não percebo o porquê de entender e mesmo assim ter vontade de não compreender nada...
Mas sabes, eu até compreendo... Sou demasiado partido para que me possam amar por inteiro.


É Carnaval!


Estamos completamente errados quando pensamos que é a altura ideal para colocar uma máscara e dançar até ao primeiro raio de sol furar o céu. Esta não é de todo a altura de mascarar os corpos e as vontades, nada disso. Muito pelo contrário. Mascaramo-nos desde que aprendemos a amar, desde que demos a primeira queda e desde que alguém nos desiludiu. Todos os dias vestimos um sorriso que não é nosso, ignoramos a dor e metemos no bolso os sonhos e os desejos com medo que alguém os roube. Mas então o Carnaval chega. Faz-nos abrir as portas às estranhas euforias, às mãos que nos agarram e olhares que se cruzam e bem mais que nem imaginávamos que podería acontecer. A noite chega e todos se perdem nas cores e no brilho. As sombras são deixadas, finalmente, em casa e a música transporta-nos para a felicidade. Os problemas escondem-se dos risos. As desilusões são afogadas nos copos e nos gritos de felicidade. Tornamo-nos vulneráveis por opção, despindo-nos de todas as defesas, mas somos verdadeiros, sorrindo aos ventos e às brincadeiras... Porque é Carnaval e ninguém leva a mal, Sines é folia.

(carro alegórico da escola de samba Beija Flor - Sines)

Amor Ou Dragão?

Rasgou por entre olhares,
o meu peito resguardado,
tomando-o nas suas mãos,
tornou-o amordaçado.

Envolvendo-me na sua dança,
fez o chão estremecer,
de passos acelerados,
e só os consegui temer.

Cruzando-me nas suas pernas,
pintando-se em mim,
fez-se arder o fogo,
que há muito perdi.

Tocando-me com as mãos,

queimando-me a liberdade,
tomando-me para si,
matou-se-me a vontade.

Eis que não sei o que foi solto então,
se foi amor, se foi dragão.

Pensei que.

Pensei esperar mais um minuto apenas. Ou talvez uns quantos mais e uns outros para compensar. E quando dei por mim já me tinha afogado completamente no tempo. Permanecendo imóvel, atarantado e assustando com todos os movimentos que não os meus. Mas deixei-me estar, de quando em vez, lá me tentei mover. Deixei-me ficar, aguardando a tua mão que outrora aparecería. Enrolei-me nos meus pensamentos de tal forma que fechei completamente as janelas de casa e proíbi-me de ouvir outras melodias. Esqueci-me do brilho da vida porque até agora só estava a viver na tua sombra. Aguardando que te lembrasses e vivendo em função dos teus horários e necessidades. Esqueci-me de mim apenas porque me decidi entregar a ti. Mas a vida é como a matemática: não existem problemas que não possam ser solucionados. E o primeiro passo desta resolução é saber que antes de ti eu só precisei de mim para ser feliz e o que é certo é que a dor de ser ignorado durante tanto tempo não parecía custar tanto quanto a ideia de te perder por completo...

Não!

Não me vires as costas apenas dizendo que sou uma desilusão. Não te quero ouvir dizer que esperavas outra coisa de mim porque na verdade não esperaste nada sequer. Pintaste as telas desta relação com as cores erradas e culpas-me a mim por ter misturado as tintas. Sentaste-te na tua confortabilidade e deixaste-me à mercê dos teus desejos, me querendo ou não conforme as horas de necessidade. E não me digas que te arrependes de ter estado comigo ou que nunca sequer deverías ter olhado para mim. Não me digas que foi tudo em vão. Não me olhes de soslaio, não mostres repugnância e decepção. Sinceramente prefiro que não demonstres nada. Não te enchi com falsas esperanças, contei-te que eu sou uma confusão e não te dei motivos para acreditares que eu era bom de todo; nunca fui. Não precisas sequer dizer mais nada. Dá-me o teu silêncio e apaga toda a raiva pelo caminho. Não finjas dor, não agora depois de todo este caminho, pois fui eu que corri atrás de quem não deu sequer um passo por mim.

Perde-te.

Se algum dia te perderes,
lembra-te que a minha mão agarra a tua.
Se algum dia te perderes,
lembra-te que a minha alma restará nua.

Se algum dia te quiseres perder,
perde-te, vai em frente, sim!
Se algum dia te quiseres perder,
faz favor e perde-te só em mim.


Talvez, um dia.

Um dia talvez me procures no teu passado e consigas sorrir só com as memórias de alguns momentos passados comigo. Talvez te lembres do toque dos meus dedos na tua face. Provavelmente vais-te lembrar dos comentários ao meu cabelo ou à minha barba ou talvez do quanto ambos gostávamos de cantar juntos aquela estúpida música que tocava no rádio da primeira vez que nos encontrámos. Talvez te lembres do nosso nervoso primeiro jantar. És capaz de deixar escapar uma lágrima teimosa apenas a pensar no que poderíamos ser. Ou então não te vais sequer querer lembrar, o  baú de recordações vai continuar bem fechado assim como te fechas para mim quando o objetivo é demonstrarmos sinceridade um com o outro. Vais ver correr as horas e deixar o tempo apagar-me. 
Para ti, na verdade, eu sou apenas alguém que passou enquanto que, para mim, és alguém que eu gostaría que ficasse.
Mas resta-me voltar a subir as minhas suspeitas e as minhas defesas e talvez um dia a solidão me mostre quem realmente a preencherá. E isto não é, de todo, já não sentir a tua falta mas sim ter-me habituado ao silêncio da tua ausência.

Barulhos da Noite


Ultimamente tenho-me perdido na confortabilidade da cama, geralmente com as mãos confusas e as pernas em posições deveras estranhas. Está sempre frio e. junto, por vezes as mãos à boca para que o meu bafo aqueça as palmas. Viro e reviro, para além dos olhos, o corpo também. Suspiro. Silêncio na rua, nem vento, nem chuva, nem outros tantos barulhos, sequer se ouve o idiota do cão da vizinha. Mas dentro no quarto há tanto barulho e apenas se houve quando o silêncio chega. Não tenho idade para ter medo de monstros debaixo da cama ou dentro do armário mas mesmo assim confiro tudo antes de apagar as luzes e embora não encontre nada fora do normal o barulho perdura. Tantas palavras e movimentos, tantos solavancos de pensamentos que não acabam nunca. Talvez arranhe os lençóis ou morda as almofadas umas quantas vezes, talvez me levante e ande à roda até cansar os pés gelados. Atacam-me pensamentos de abandono e de mudança que não suporto sequer ponderar, atacam-me sentimentos e emoções que não consigo deixar de lado mas, por vezes, devo colocar no bolso, atacam-me acontecimentos e diálogos que não me deixam nunca descansar. Quase grito comigo mesmo até que o sol espreita pelas persianas mal fechadas, então, abrindo a janela deixo que o vento e o som da madrugada se afogue nos meus ouvidos. E com tantos outros burburinhos sinto que posso entregar-me aos monstros que criei na minha cabeça que já nem tanto me vão afetar. O calor do meu corpo espalha-se por toda a cama e então consigo fechar os olhos com o peito cheio de sonhos. Com eles deixo-me adormecer não pensando mas finalmente sentindo.

Cobra


Eu admito que te menti, que te deixei completamente sem rumo na escuridão da noite, a caçar as minhas palavras: todas elas um fumo de convicção. E eu sei que lá ficaste, quanto tempo sei lá. Pelas palavras te deixaste embrenhar, eram elas sentimentos e crenças... Procuradas por quem se ilude e tem vontade de sonhar. 
Eu compreendo, sentiste que podías confiar. Eu compreendo, sentiste liberdade e que podias acreditar.
Mas compreende também que não há cobra que viva sem perigo, um dia talvez no meio de tanta escuridão, de tanta mentira e ilusão... a cobra morda a sua própria língua e prove aquilo que até ao dia só deu a provar. 

FELIZ 2015

1 Ano. 
365 dias.
Multiplicados por alguns tempos mais, momentos e outros tais.
E todos passados na melhor companhia, com o melhor tipo de amor: a amizade.

Pois amigos não são só pessoas a quem podemos confiar tudo. Amigos são, como muitos o dizem, a família que nós escolhemos. Amigos são as fontes do amor que nunca acaba, são a confiança, são a alegria e felicidade.

Os meus são pedaços de mim com quem sempre posso aprender, com quem posso chorar porque eles antes de me puxar para cima vão comigo ao fundo para que toda a tristeza se afogue. Posso confessar-lhes os meus fantasmas que eles não se vão sequer esconder e sempre me ajudarão a enfrentar o escuro da noite. Posso ser-lhes sincero que não me irão julgar pois sabem que os rótulos não são a descrição do produto e muito menos da pessoa. 
E sobretudo nunca me deixam desistir, estão comigo em todos os momentos mostrando-me que não estou sozinho.

Então, com este post agradeço a todos aqueles que mais um ano estiveram na minha vida, agradeço a todos os que entraram na minha vida este ano e de alguma forma continuam a fazer-me sorrir. Agradeço também áqueles que entraram e decidiram sair porque me mostraram que não devo abrir a porta mas sim uma janela na minha vida pois se quiserem realmente entrar terão de se mostrar capazes de subi-la. Agradeço a todos os momentos, a todas as histórias e aventuras. E sobretudo a todos os meus amigos virtuais da blogosfera (que são mais reais que muita gente que conheço pessoalmente) por me mostrarem espaços de deliciosas leituras e me virem entregar muita força e amor sempre que podem.

Para todos um FELIZ 2015.
E que estejam sempre vestidos com o vosso melhor sorriso! 




             







Esqueço-me de Respirar.


Apenas não sei como é possível mas por vezes esqueço-me de respirar; os meus olhos e o corpo ficam imóveis e eu sou arrastado para o pensamento. E lá não estou, de fato, preso nem me falta o ar, lá sou livre no meio de toda a confusão e todas as dúvidas mas, de certo modo, sinto-me bem. É como se me escondesse de todos os problemas na realidade e os enfrentasse no pensamento onde nada me pode atingir. Lá eu comando o que sinto, o que digo, e o tempo até. Já na realidade eu não me deixo pensar antes de falar e penso que o tempo me escorre pelos nós dos dedos. Sou demasiado ansioso. Não controlo o meu caminhar e por vezes parece que vou de encontro ao chão apenas porque na minha mente me distraí a voar. É angustiante pensar de mais porque, na verdade, não saío do mesmo lugar e permaneço nestes carris, perdido mas em paz, até que algo me relembre que tenho de respirar de novo.

Como os Outros...



Não vejas,
fecha os olhos. 
Ou vê,
e deixa-te cegar.

Não fales,
cerra os dentes.
Ou fala,
e morde a língua.

Não penses,
guarda os teus fantasmas.
Ou pensa,
e deixa-te perder.

Apenas sente,
e deixa o coração bater.
Ou não sintas,
e vive como os outros.

O Mundo do Talvez.

Talvez o carro dele seja um impala e o dela um mitsubishi colt. Talvez a casa de férias dele seja num bairro de luxo em Veneza e a dela seja na casa dos primos no norte do país. Talvez ele tenha um emprego fixo e sério e talvez ela prefira o seu emprego de probabilidades e stress. Talvez ele use apenas perfumes caríssimos e importados e talvez ela prefira usar aqueles recebidos de presente pelo natal. Talvez ele prefira uma noite carnal na sua suíte mas ela a prefira em frente da lareira com poucas mantas. Talvez ele ame e talvez ela também ou talvez ele a use mas talvez ela também... É muita dúvida para tão poucas palavras. É muito sentimento para tão poucos corpos. E a única certeza é que ela dizia bom dia ao porteiro do hotel e, no entanto, ele já mal conversava com a mulher em casa.

Enquanto o estatuto social definir caráter muitos bolsos estarão cheios enquanto as almas se encontrarão despidas.


A Volta dos 70

Olá caros seguidores!
Venho partilhar convosco um novo projeto: um blogue chamado "A Volta dos 70".
Convido-vos a participar, lendo, comentando, seguindo e partilhando.
Não me esqueço deste blogue porque é a minha casa, mas decidi que estava na hora de dar um pouco mais de mim a este mundo da blogosfera.

O que é "A volta dos 70"?

A Volta dos 70 é a história de José Espada, um idoso que está a realizar o seu 70º aniversário. Esposa falecida e o único filho vive em Londres para onde ele terá de ir viver devido à solidão em que se encontra e aos diferentes problemas de saúde.
A história baseia-se em peripécias deste senhor e de algumas difículdades que terá ao ter trocado a sua tranquila vida no campo pela vida numa cidade que nunca dorme.

Convido-vos a visitar.
Agradecido desde já e resto de uma boa semana!

Em frente ao espelho.


Nunca gostei de chorar. Primeiramente não gosto do aspecto da minha cara quando choro e de como os meus olhos ficam inchados e desejosos de se fechar. No entanto quando choro e estou em frente ao espelho é quando mais lágrimas se soltam pois para além de sentir eu consigo ver. Ver as lágrimas a cair a fio pela face e acabarem no queixo, vejo os lábios contorcidos e por vezes as mãos que estão confusas e não sabem para onde ir... Vejo a tristeza e o desespero. Se me vejo chorar é para adiantar o final porque não gosto de me ver nesse estado. Acumulo demasiadas coisas dentro de mim, demasiados desentendimentos, acontecimentos e pensamentos que dão comigo em doido. E talvez seja por os guardar dentro de mim que, por vezes, perco a noção da realidade. Confesso que não gosto de sentir tudo isso dentro de mim... Pesa em demasia. Por vezes preciso soltar, baixar os braços e deixar-me ser atingido pelo alívio. Deixar que o peso seja escorrido de mim em forma de lágrimas. Sempre me fez bem chorar, no entanto, nunca foi fácil fazer-me rebentar. Mas desde pequeno que me habituei a guardar as coisas para mim: segredos, problemas, pensamentos... tudo. Talvez eu guarde tudo o que me magoa para atirar um dia a alguém, para me dar força numa discussão supérflua e irracional... Nem sei. O que é certo é que a minha família diz que, quando eu era pequeno, em vez de chorar eu costumava bater com a cabeça no chão. Talvez tenha partido alguma peça desde então... 

O que nunca te escreverei.

Calculo que te perguntes o porquê de te estar a escrever depois de tanto tempo e também te podes estar a perguntar porque raios não te esqueci eu. 
Não te escrevo para mostrar que ainda penso em ti nem para que me respondas. Não creio que isso vá acontecer e também não preciso. Sei que vais ler esta carta, talvez penses no que realmente aconteceu ou talvez a deites fora, isso deixarei ao teu critério. Tal como deixei tudo nas tuas mãos, deixei-te com as opções e decisões e com o peso do meu amor.
Amor... De amor sei falar eu e tu também soubeste... A única diferença é que eu sentia-o e tu limitavas-te a seguir a deixa e a receber tudo o que eu te dava. Fui cego e nunca me apercebi o quão egoísta estavas a ser. Mas eu era inocente, apaixonado, o que há para me culpar? 
Dei e nunca me importei nem pedi nada em troca pois estava a receber tudo aquilo pela qual esperei... Pensava eu. 
Tempos depois decidi entregar-te a outra parte de mim, a minha alma e essência. Deixei-me encantar pelos teus olhos que ainda hoje é a parte de ti que mais gosto. E foi depois de teres tudo de mim que decidiste deitar-me fora. Como se eu nunca tivesse sido nada, apenas uma mera diversão durante todo o tempo em que me dedicava com tudo aquilo que tinha e não tinha. 
E eu ainda tentei procurar-te, queria uma explicação, um pequeno motivo ou uma palavra... E em vez de qualquer coisa dessas eu ganhei desprezo. Fui ignorado como se nunca nada tivesse acontecido. Nem uma única explicação eu consegui de ti. E não foi preciso haver um adeus para que eu soubesse que tudo tinha acabado.
Chorei. Berrei e tentei por tudo esquecer. Mas sabes quanto mais se tenta "não pensar" é quando nos lembramos mais. Imaginei diálogos na minha cabeça de tudo aquilo que te diría. Imaginei vingança... Oh, andei tanto tempo a desejar vingar-me... E depois passou. Tudo passa e o tempo e as pessoas sempre ajudam.
Foi contigo que ganhei coragem, foi contigo que ultrapassei medos, foi por ti que me apaixonei. 
No entanto posso afirmar que não foste o meu primeiro amor. Engraçado não é? Depois de tanto tempo eu finalmente percebi que nunca o foste. E sabes porquê? Porque eu agora consigo entender que quem eu realmente amei em primeiro lugar, fui eu. 
Acima de todos os sentimentos que senti por ti ou por alguém, o que sinto por mim é sempre superior. Porque eu sinto a necessidade de ser feliz e de amar, não por uma pessoa mas por mim. Quero fazer-me a mim feliz, quero conquistar os meus sonhos... E se pelo meio fizer outra pessoa feliz, que seja por ama-la, porque não? O amor não vem em pacotes e o prazo de validade não expira nunca. O amor é tudo o que eu sempre tive e por muito tempo que tenha passado desde que me deixaste eu garanto-te que não me arrependo de nada pois não é a mim que me falta amor e a minha consciência está tão leve quanto o teu coração.


Trouxe-vos algo que eu nunca conseguirei enviar, algo que me parte o coração só de pensar. Mas no entanto precisei de o fazer. 
E já agora o que acharam do novo aspeto do blogue? Demorou umas horinhas mas consegui deixa-lo mais ou menos como planeava!
Bom final de semana! ♥

Demasiado bom humor?

Ontem, numa conversa com uma amiga minha, considerada minha irmã, surgiu-nos o assunto "Porque é que ninguém se apaixona por nós?".
Isto porque quando estamos um com o outro só nos fartamos de rir e contar piadas, de certo que sabemos falar seriamente sobre diversos assuntos e talvez a cultura ou a economia não seja o nosso forte mas sabemos como estar e agir. 

Não falo dos sorrisos espalhafatosos e das diversas onomatopeias que nos saem da boca quando rimos, porque disso ninguém precisa de saber, mas o que é certo é que nos custa pensar que há pessoas com tanta mais sorte do que nós e não sabem valorizar nada do que têm.

Após a pergunta que ela me fez: Porque é que ninguém se apaixona por nós? Somos tão alegres.
Só consigo pensar que ainda está para aparecer quem aguentará com o nosso bom humor.

E quando vier sei que vou estar preparado para já não deixar ir...